Lúcio Távora
Marcos Valério pede proteção para apresentar novos indícios contra supostos envolvidos

Na representação que será protocolada na Procuradoria, o PPS defende a aplicação para Lula do mesmo entendimento que levou à condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. O Supremo aplicou o chamado "domínio do fato". O DEM e o PSDB consideram, no entanto, prematuro acionar o Ministério Público, sem uma confirmação do inteiro teor do depoimento de Valério.
"Por que vamos entrar agora com um pedido de investigação sem ter a confirmação ainda do depoimento do Valério ao Ministério Público? Isso vai ter uma sequência. Vamos aguardar uma manifestação do Ministério Público", argumentou o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN). "É mais prudente nós aguardarmos uma manifestação do procurador. Essa denúncia é muito grave", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE).
O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), reagiu com virulência à decisão do DEM e dos tucanos de não assinar o pedido de investigação. "Se eles não quiserem assinar, problema deles. Não tenho que esperar mais nada", destacou o parlamentar.
Apontado na denúncia do Ministério Público como o operador do mensalão, Marcos Valério foi condenado no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato. Valério estaria propondo ao Ministério Público sua inclusão no programa de proteção a testemunhas em troca de fornecer mais detalhes sobre o esquema.
'Operador' pede delação premiada
O jornal O Estado de São Paulo destacou ontem que o empresário condenado como o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza prestou depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro. Espontaneamente, marcou uma audiência com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Fez relatos novos e afirmou que, se for incluído no programa de proteção à testemunha - o que o livraria da cadeia -, poderá dar mais detalhes das acusações.
Dias depois do novo depoimento, Valério formalizou o pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando um fax ao Supremo Tribunal Federal. O depoimento é mantido sob sigilo. Segundo investigadores, há menção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-ministro Antonio Palocci e a outras remessas de recursos para o exterior além da julgada pelo Supremo no mensalão - o tribunal analisou o caso do dinheiro enviado a Duda Mendonça em Miami e acabou absolvendo o publicitário. Ainda no recente depoimento à Procuradoria, Valério disse já ter sido ameaçado de morte e falou sobre um assunto com o qual parecia não ter intimidade: o assassinato em 2002 do então prefeito de Santo André, Celso Daniel.
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