O chefe das Forças Armadas do Egito, general Abdul
Fattah al-Sisi, anunciou a suspensão da Constituição e a convocação de
novas eleições presidenciais.

Segundo Sisi, o país será governado internamente pelo chefe da
Suprema Corte de Justiça do Egito – o que, na prática, representa o
afastamento do presidente do país, Muhammed Morsi.
“As Forças Armadas consideram que o povo do Egito está nos pedindo
apoio, não para tomar o poder ou governar, mas servir ao interesse
público e proteger a revolução. Essa é a mensagem que os militares
receberam de todos os cantos do Egito”, afirmou.
Logo após o pronunciamento de Sisi, manifestantes reunidos no Cairo
na Praça Tahrir - palco dos protestos que levaram em 2011 à renúncia do
ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak -, comemoram a saída de Morsi.
Em uma nota, a Presidência egípcia qualificou o anúncio dos militares
como um “golpe militar” que deve ser rejeitado por “por todas as
pessoas livres” do país, “aquelas que lutaram por uma sociedade
democrática e civil.”
“Morsi, na posição de presidente e comandante supremo das Forças
Armadas, pede a todos os cidadãos – civis ou militares – que respeitem a
constituição e não respondam a este golpe.”
Tropas nas ruas

Os oponentes de Morsi dizem que a Irmandade Muçulmana está tentando
implantar no país um regime com características islâmicas e exigem sua
saída do poder.
Ao mesmo tempo que os manifestantes na Praça Tahrir, simpatizantes de
Morsi também realizavam manifestações na capital egípcia em apoio ao
líder. Veículos militares foram vistos perto da principal manifestação
pró-Morsi.
Nesta quarta-feira, o presidente reafirmou que não pretendia
renunciar e repetiu uma oferta de criação de um governo de consenso.
Plano pós-Morsi
Funcionários do setor de aeroportos disseram Morsi e outros membros
da Irmandade Muçulmanos estão agora proibidos de viajar por via aérea.
Durante todo o dia, representantes do Exército manteve reuniões com líderes políticos e religiosos para discutir a crise.
Membros do movimento Tamarod, que vêm mobilizando milhões nas ruas do
Cairo para pedir a renúncia de Morsi, teriam participado das
discussões. Por outro lado, o Partido Liberdade e Justiça – o braço
político da Irmandade Muçulmana – teria ficado de fora.
O comandante do Exército, general Abdel Fattah al-Sisi, teria se
reunido com seus oficiais de alta patente nesta quarta-feira. Segundo a
agência de notícias AFP, eles teriam discutido ideias para o cenário
posterior à saída de Morsi.
O presidente estava sob intensa pressão para deixar o cargo após a
renúncia de seis de seus ministros na última segunda-feira, incluindo o
chanceler Kamel Amr.
Presidente eleito

Mas desde que Morsi assumiu o posto, o descontentamento aumentou
gradativamente no Egito. Parte da população dizia-se pouco satisfeita
com as mudanças ocorridas durante o período pós-revolucionário no Egito e
acusou a Irmandade Muçulmana - o partido de Morsi - de tentar proteger
seus próprios interesses.
“Esse presidente está ameaçando seu próprio povo. Nós não o
consideramos presidente do Egito”, afirmou Mohammed Abdelaziz, líder do
Tamarod.
No entanto, Morsi e a Irmandade Muçulmana ainda tinham amplo apoio
popular, e ambos os lados levaram às ruas um grande número de
manifestantes nos últimos dias.
Uma multidão voltou a se reunir nesta quarta-feira na Praça Tahrir pelo quarto dia seguido.
Houve focos de violência em várias partes da capital: no mais
violento deles, 16 pessoas foram mortas e cerca de 200 ficaram feridas
na Universidade do Cairo, em Giza.
Desde o domingo, o saldo de mortos já chega a 39 pessoas.
Fonte: Nominuto.com
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