
O Conselho de Ética da Câmara instaurou
nesta terça-feira (28) processo disciplinar contra o deputado federal
Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para apurar se ele quebrou o decoro parlamentar
ao reverenciar o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra,
reconhecido como torturador pela Justiça, durante a votação do processo
de impeachment de Dilma Rousseff.
Para o PV, autor da representação contra
ele, a forma como o deputado se referiu à “memória do coronel Carlos
Alberto Brilhante Ustra”, constitui uma “verdadeira apologia ao crime de
tortura”. Reconhecido pela Justiça brasileira como torturador no
período da ditadura militar (1964-1985), Ustra, que morreu aos 83 anos
em 2015, foi apontado como algoz por dezenas de perseguidos políticos.
Ao proferir o seu voto na votação da
abertura do processo de impeachment na Câmara, realizada no dia 17 de
abril, Bolsonaro disse: “Pela memória do Coronel Carlos Alberto
Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Na ocasião, Bolsonaro
rebateu a acusação e disse que “em nenhum momento foi feita homenagem a
qualquer torturador, considerando a inexistência de sentença
condenatória atestando que o Coronel Ustra tenha praticado crime de
tortura”.
A representação foi protocolada no dia
26 de abril, mas o processo não pôde ser instaurado antes porque a pauta
do Conselho de Ética estava trancada pelo processo do presidente
afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O PV reconhece que
Bolsonaro tem “o direito de expressar suas preferências e simpatias”,
mas ressalta que ele não pode “enaltecer crimes ou criminosos”.
Pelo Código de Ética, as punições previstas vão desde advertência e censura à suspensão ou cassação do mandato.
A instauração do processo contra
Bolsonaro aconteceu em uma sessão esvaziada, com a presença apenas de
Marcos Rogério, Júlio Delgado (PSB-MG) e Alberto Filho (PMDB-MA), além
de Araújo. Por se tratar de um ato administrativo, não havia necessidade
de quórum na reunião. A abertura do processo e o sorteio poderiam ter
sido realizados até mesmo na sala do Conselho de Ética.
Diante da ausência de boa parte dos 21
membros titulares, Araújo fez uma crítica ao fato de os parlamentares
terem sido liberados nesta semana pela Mesa Diretora por contas das
festas juninas. “Se fomos convocados, estamos obrigados de aqui
estarmos. No meu estado, o São João é muito forte”, afirmou Araújo, que é
da Bahia.
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