
O candidato do PSOL a governador, Robério Paulino, vai liderar uma
comitiva de representantes do partido para uma reunião com o candidato
do PSD a governador, Robinson Faria. A data do encontro ainda será
anunciada. O objetivo é ouvir o vice-governador, que disputará com o
candidato do PMDB, Henrique Alves, o segundo turno das eleições deste
ano para governador do Rio Grande do Norte.
Em entrevista coletiva, Henrique descartou o apoio do PSOL, afirmando
que iria priorizar o fortalecimento de alianças com os aliados,
vencedores e derrotados no último domingo nas urnas. “Ele sabe que bati
muito nele. Acho que o estado vai votar no menos pior. Minha impressão é
que a rejeição ao Henrique no segundo turno vai aumentar. É o candidato
mais identificado com essa velha política oligárquica. Pelos menos na
UFRN é o que estou vendo. Ninguém está a favor do Robinson, mas existe
um sentimento anti-Henrique muito grande. É generalizado”, avaliou
Robério Paulino.
Robinson telefonou para Robério, parabenizando pela votação,
sinalizando pontos em comum entre as candidaturas manifestando o
interesse de ter o apoio do PSOL. Paulino teve 129.616, ou 8,74% dos
votos válidos. “Robinson me ligou, vou escutá-lo. Vamos com uma comissão
do partido, vamos escutá-lo, com toda a cordialidade. A decisão será
coletiva. Por enquanto, nossa posição é de não apoiar ninguém. Na
próxima segunda faremos uma entrevista para anunciar nossa posição”,
adiantou Paulino.
O candidato não descarta propor uma agenda do PSOL para eventual
governo Robinson Faria. A exemplo de Marina Silva (PSB), que para apoiar
Aécio Neves no segundo turno está propondo que o candidato se
comprometa com o fim da reeleição, implantação de ensino integral e
adoção de agenda sustentável, o PSOL também poderá levar agenda própria
ao candidato Robinson Faria.
“Vamos fazer uma plenária no próximo sábado para definir nossa
posição em relação ao segundo turno. Acho que o PSOL vai ter uma posição
de não votar em nenhum dos dois – Henrique ou Robinson. Nas redes
sociais realizamos consultas e o resultado é que a grande maioria não
quer apoiar nenhum nem outro”, salienta o socialista.
O candidato do PSOL, que ficou em terceiro lugar, mantém a acidez nas
críticas tanto a Henrique quanto a Robinson. Para ele, “Henrique e
Robinson não ganharam a eleição; compraram a eleição. Enquanto fiz uma
campanha de R$ 30 mil, eles executaram uma campanha de R$ 30 milhões ou
R$ 40 milhões”, informa. “Só temos a comemorar a grande votação. Só não
temos o que comemorar com a eleição desses dois. Achamos que
lamentavelmente que quem for governador deles não vai mudar nada. Não
vai acabar o analfabetismo, nem melhorar o estado”.
AGRADECIMENTOS
Robério agradece a votação recebida e salienta o esforço da sua
campanha. Ele diz ter percorrido mais de dez mil quilômetros. Foi a
Mossoró mais de oito vezes. Ao todo, desde prévias, foram seis meses de
trabalho. “Temos um imenso agradecimento, sobretudo pela votação em
Natal, Mossoró e São Gonçalo do Amarante”.
Somente em Natal, 22% dos eleitores optaram por Robério. Conquistou
simpatia não apenas no setor universitário, mas de classes diversas,
como policiais militares, profissionais liberais, e até mesmo junto a
autoridades de Estado. “Merecemos o voto de setores esclarecidos e
escolarizados. A juventude, centralmente, foi muito importante. Era
comum vermos sobrinhos ou netos pedindo os seus parentes votarem no
professor Robério. A juventude abraçou a campanha, e pediu para os mais
velhos votarem”.
“A derrota de Wilma de Faria para o Senado e minha a votação significam surgimento de massa crítica no RN”
A derrota da ex-governadora Wilma de Faria na disputa pelo Senado
Federal, na visão de Robério Paulino, assim como sua votação expressiva,
denotam surgimento de um novo pensamento no Rio Grande do Norte. “Tanto
a derrota da Wilma, como minha votação, mostram o surgimento de novo
pensamento no estado. Há uma massa crítica se formando”, alerta Paulino,
afirmando que tal pensamento, com origem nos centros de inteligência e
juventude, como universidades, rejeita a forma tradicional de se fazer
política.
“Esse pensamento novo é contra o clientelismo, o fisiologismo, o
loteamento da máquina pública, compra de voto, currais eleitorais. As
pessoas estão cansadas, especialmente na capital. Eles rejeitam a velha
política”, diz Paulino, citando que campanha sem recursos financeiros é
viável. Sua campanha custou, segundo ele, R$ 30 mil.
Uma ninharia, se comparado aos R$ 30 milhões ou R$ 40 milhões de
gastos dos adversários. “Minha campanha custou R$ 30 mil. Ou seja, é
possível fazer política sem curral eleitoral, sem cavalete. Pagar R$ 20
para um pobre coitado desempregado segurar uma bandeira o dia inteiro
sem saber por que é uma desumanidade”.
Paulino defende, portanto, a implantação urgente de uma reforma
política no país, sobretudo para a instituição do sistema de
financiamento público de campanha. “Minha campanha foi baseada em
ideias, propostas e debates. É possível, é necessário o financiamento
público de campanha, como na Europa. As empresas, doando, corrompem a
eleição”.
Ainda conforme o candidato, Wilma de Faria ao falar sobre a derrota,
atribuiu ao governo federal que teria usado estrutura para apoiar a
senadora eleita Fátima Bezerra (PT). “Wilma está reclamando de uso da
máquina, e ela? Nunca usou esse método? Ela sempre fez parte disso. Está
provando do veneno que sempre estimulou”.
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