A seleção brasileira foi melhor que o Uruguai
durante todo o tempo, mas mesmo assim passou sustos; Fred e Paulinho
fizeram os gols.
![]() |
Paulinho sobe para marcar o segundo gol brasileiro que garantiu vaga na final da Copa das Confederações. |
Parecia que o Mineirão era o Maracanã. O ano, 1950. Assim
como naquela catastrófica decisão de Copa do Mundo, a Seleção Brasileira
esbanjou nervosismo diante do Uruguai nesta quarta-feira (26 de junho). Mas o
final foi diferente. Com direito a um pênalti defendido pelo goleiro Júlio
César, que vingou o crucificado Barbosa, o Brasil de Luiz Felipe Scolari venceu
o Uruguai por 2 a 1 e avançou para a final da Copa das Confederações.
Graças aos gols do mineiro Fred e do volante Paulinho, o
último deles aos 40 minutos do segundo tempo, a Seleção Brasileira enfrentará o
time vencedor do confronto entre Espanha e Itália no domingo, no Maracanã – a
semifinal europeia será disputada na quinta-feira, no Castelão. O Uruguai, que
descontou através do centroavante Edinson Cavani nesta tarde, decidirá o
terceiro colocado da Copa das Confederações também no fim de semana, na Arena
Fonte Nova.
O jogo – Já não era mais novidade a torcida brasileira
continuar a cantar o Hino Nacional, à capela, mesmo após a música dos
alto-falantes ser precipitadamente interrompida. Ainda assim, havia quem se
emocionasse bastante. Os jogadores do Brasil saltaram, bateram em seus peitos e
gritaram após a execução, enquanto alguns torcedores estenderam os braços para
mostrar que estavam arrepiados.
Tamanha comoção, desta vez, deixou a Seleção Brasileira
nervosa no gramado. O Uruguai usou a traquejo de jogar junto desde a Copa do
Mundo de 2010 para tirar proveito da situação. O goleiro Muslera foi o primeiro
a demorar a repor a bola em jogo, logo seguido por seus companheiros. A atitude
despertava irritação no público, até então mais preocupado em ofender somente
um famoso locutor de televisão.
Não foi apenas a torcida que saiu do sério. Os comandados de
Felipão se sentiram ainda mais pressionados em incomodar rapidamente a defesa
do Uruguai, como haviam feito contra a Itália. O excesso de ímpeto fez com que
o volante Paulinho não se encontrasse no meio-campo, o lateral esquerdo Marcelo
tropeçasse na bola e até o atacante Neymar, novamente aplaudido, fizesse passes
sem direção.
Ninguém pecou mais do que David Luiz naquele momento de
instabilidade. Aos 12 minutos, o zagueiro do Chelsea agarrou de forma
desnecessária seu colega Diego Lugano dentro da área, em uma cobrança de
escanteio. O árbitro chileno Enrique Osses (o mesmo que despertava suspeitas no
próprio defensor uruguaio, com passagem pelo São Paulo) não hesitou em apontar
para a marca da cal e assinalar o pênalti.
Foi então que a Seleção enfim reagiu. O goleiro Júlio César
fixou os olhos em Diego Forlán, o uruguaio encarregado de cobrar a penalidade,
e saltou no canto certo para vingar o falecido Barbosa (eleito o vilão da
derrota no Maracanã em 1950) com uma bela defesa. Curiosamente, o veterano
havia se lamentado porque não teve a chance de se consagrar diante da Itália,
quando não houve pênalti contra o Brasil.
O feito de um ovacionado Júlio César era o que faltava para
a Seleção começar a se ajustar. A torcida já comemorava até um chute forte de
Oscar para afastar a bola do campo de defesa. Pouco depois, aos 16, o
meio-campista deu um motivo melhor para vibração ao protagonizar um bom lance
ofensivo, com uma arrancada e uma finalização firme, por cima da meta defendida
por Muslera.

Se o clássico sul-americano era brigado, Hulk estava à
disposição para ajudar com a sua força física. O atacante conseguia transpor a
marcação celeste com a cabeça baixa, o peito estufado e os braços abertos.
Bastava uma conclusão dele para fora ou um passe errado, contudo, para parte da
torcida voltar a se impacientar. Os torcedores do Atlético-MG no Mineirão
pediram a entrada do mineiro Bernard, enquanto os demais fizeram coro por
Lucas.
Àquela altura, porém, a Seleção já parecia pronta para
acabar com a impaciência do público. Fred quase abriu o placar depois de um
cruzamento rasteiro de Marcelo. Aos 40 minutos, ele não perdoou. Paulinho
finalmente apareceu com um bom cruzamento para Neymar, que correu pela esquerda
e tentou encobrir Muslera. O centroavante do Fluminense, mineiro de Teófilo
Otoni, ficou com o rebote da defesa parcial do goleiro uruguaio e arrematou
para abrir o placar em sua “casa”, como definiu. “Uh, terror! O Fred é matador!”,
retribuiu a torcida.
Mais calma no princípio do segundo tempo, a Seleção já se
permitia até tentar tirar vantagem da ira dos uruguaios, ainda incomodados com
as quedas de Neymar. A alegria durou pouco. Aos dois minutos, a defesa
brasileira cometeu um vacilo generalizado. O último a falhar foi Thiago Silva,
que jogou a bola nos pés de Cavani. O centroavante justificou o temor de
Felipão com o seu oportunismo e bateu cruzado para mandar a bola no canto e
empatar o jogo.
Toda a confiança que o Brasil havia adquirido no final do
primeiro tempo pareceu ter ido embora com o gol de Cavani. Nos 15 minutos
seguintes, o Uruguai aumentou o seu volume de jogo, a ponto de passar a atuar a
maior parte do tempo na intermediária ofensiva, e provocou novos erros
brasileiros. O panorama do jogo era preocupante. Até a torcida que havia se
arrepiado com o Hino Nacional já estava silenciosa nas arquibancadas do
Mineirão.
Felipão tomou uma atitude para trazer a torcida novamente
para dentro de campo. Colocou o xodó atleticano Bernard no lugar de Hulk e
levantou até os cruzeirenses com o garoto com “alegria nas pernas”, como gosta
de definir o comandante. A aposta foi acertada. Causando euforia coletiva
sempre que encostava na bola, o meia-atacante contagiou os seus companheiros de
time com dribles e assistências. O Brasil voltava a levar perigo ao Uruguai.
Como a melhora da Seleção não se traduziu em gol, Felipão
mexeu na equipe outra vez. Trocou Oscar por Hulk, prejudicando a sua armação, e
desagradou àqueles que consideraram a alteração defensiva. O ambiente no
Mineirão já era de tanta tensão que os desentendimentos nas arquibancadas não
ocorriam só por discordância das escolhas do treinador. Um cruzeirense brigou
com um atleticano, e a violência só foi contida por gritos de “vão embora” dos
demais e pela ação dos orientadores do estádio.
O nervosismo chegou ao fim aos 40 minutos. Neymar, que já
até mandava beijinhos para rebater provocações de seus rivais, cobrou escanteio
com categoria e encontrou a cabeça de Paulinho dentro da área. O volante
redimiu a sua atuação apagada ao colocar a bola na rede e o Brasil na grade
decisão da Copa das Confederações. Nem mesmo as aventuras do desesperado
goleiro Muslera no ataque fizeram o Uruguai se lembrar de 1950 ao término da
semifinal.
Ficha Técnica
Brasil 2 x 1 Uruguai
Local: Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Enrique Osses (Chile);
Assistentes: Carlos Astroza e Sergio Roman
Brasil: Julio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz
e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar (Hernanes); Hulk (Bernard), Neymar
(Dante) e Fred.Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Uruguai: Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres;
Arévalo Rios, Álvaro González (Gargano) e Cristian Rodriguez; Forlán, Suárez e
Cavani.Técnico: Oscar Tabárez.
Gol: Fred (BRA) aos 40 do primeiro tempo, Cavani (URU) aos
2, Paulinho (BRA) aos 40 do segundo tempo.
CA: David Luiz, Marcelo e Luiz Gustavo (BRA); Álvaro
González e Cavani (URU).
Fonte: Nominuto.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário