terça-feira, 16 de abril de 2013

Governo projeta Mínimo de R$ 719 no próximo ano

Brasília (AE) - O governo federal prevê que o salário mínimo aumente para R$ 719,48 no ano que vem, o que representa um crescimento de aproximadamente 6% sobre o valor atual, de R$ 678. A proposta faz parte do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2014, enviado ontem pelo Executivo ao Congresso Nacional e que ainda precisa ser votado pelos parlamentares.  O valor proposto ainda pode sofrer modificação, para baixo ou para cima, com base nos parâmetros estabelecidos para sua correção. Isso porque as regras da política de reajuste do salário mínimo estabelecem que, até 2015, o aumento será feito a partir do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, além da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Ou seja, a previsão do governo para o salário mínimo em 2014 pode aumentar ou diminuir caso sejam revisados os dados de crescimento do PIB de 2012 ou a inflação deste ano medida pelo INPC.

O documento prevê, ainda, que a massa salarial nominal tenha uma variação média de 12,34% no ano que vem. Para este ano, a expectativa da equipe econômica é de 11,64%.  Para elaboração do Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, o governo estimou um crescimento da economia de 4,5% no próximo ano, após uma expansão de 3,5% este ano. “O governo estima que, no ano que vem, vamos ter processo de crescimento importante, assim como ao longo deste ano. O crescimento deve continuar a ter um quadro de melhoria”, comentou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. A equipe econômica, no entanto, preferiu não fazer estimativa para a inflação em 2014. Considerou o centro da meta de inflação, de 4,5%, para fechar o projeto de lei. Estimou, porém, que o IPCA fechará este ano em 5,2%.
Indústria

Menos otimista estão os industriais, que estão prevendo PIB na casa dos 3% este ano, o que os leva a refazer o planejamento para 2014. Ontem, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, informou que os investimentos do setor devem crescer 4% este ano. Sem citar os valores absolutos dos investimentos, Andrade disse que, antes, a expectativa da CNI era de que os investimentos do setor pudessem crescer 7%. Ele fez a previsão após proferir a palestra Economia, Crescimento e Infraestrutura do Brasil na Visão da Indústria, em evento realizado pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil.

Andrade também discordou da afirmação feita pelo assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), David Kupfer, de que o Brasil precisa pensar em fazer “nascer uma indústria nova, e não despertar a que está hibernando, além de abrir espaço para o processo de mudança estrutural, que está travado”. Kupfer fez a afirmação na sexta-feira, em palestra organizada pela Brasileiros Editora. “Isso não é verdade”, disse Andrade, citando as inovações. “As indústrias automotiva, petroquímica e eletroeletrônica evoluíram muito nos últimos anos.”

MPF encaminha novas ações

Três novas denúncias e três novas ações civis públicas por improbidade administrativa, relacionadas à chamada Operação Pecado Capital, foram entregues à Justiça Federal em março, pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN). Com essas, desde junho de 2012 já totalizam 17 as ações impetradas pelo MPF contra o ex-diretor geral do Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (Ipem/RN), Rychardson de Macedo Bernardo, e o grupo envolvido em irregularidades cometidas na autarquia, entre 9 de abril de 2007 a 24 de fevereiro de 2010.
alberto leandro - 13/11/2012Desde junho/2012, já são 17 ações contra Rychardson de MacedoDesde junho/2012, já são 17 ações contra Rychardson de Macedo

Nas ações, assinadas pelo procurador da República Rodrigo Telles de Souza, o Ministério Público Federal requer a reparação dos prejuízos, aplicação de multas e penalidades que vão de prisão à perda dos direitos políticos. Ao todo, somente os pedidos de restituição dos valores desviados já somam R$ 1.611.646,46, ainda não atualizados. De acordo com o procurador, há ainda 29 procedimentos investigativos relacionados ao assunto, tramitando na Procuradoria da República no Rio Grande do Norte, e que ainda poderão resultar em novas ações.

A verba desviada dos cofres federais é oriunda de dois convênios de cooperação técnica e administrativa, celebrados entre o Ipem/RN e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O primeiro, de 2005, resultou em repasses de R$ 16.607.854,30 ao longo de cinco anos, enquanto o segundo, celebrado em 2010, previa o repasse de R$ 21.775.000.

A maior parte das denúncias e ações civis públicas incluem entre réus e denunciados, além de Rychardson de Macedo, seu irmão Rhandson Rosário de Macedo Bernardo; o ex-diretor administrativo do Ipem/RN, Adriano Flávio Cardoso Nogueira; o ex-servidor e apontado como diretor financeiro “de fato” do instituto, Aécio Aluízio Fernandes de Faria; e o ex-coordenador jurídico do órgão, Daniel Vale Bezerra.

Os desvios de recursos promovidos pelo grupo ligado a Rychardson de Macedo se concretizou através de contratações ilegais de empresas e pessoal, dispensas indevidas de licitação, dezenas de fraudes em documentos, irregularidades na fiscalização, ilicitude na arrecadação de multas, superfaturamento de obras e vários casos de corrupção ativa e passiva.

Ao longo da gestão de Rychardson de Macedo, o Inmetro realizou auditorias financeiras, contábeis e administrativas no Ipem/RN, nas quais registrou a ocorrência das irregularidades, tanto de natureza administrativa quanto penais. Investigações promovidas pelo MP/RN resultaram na deflagração da Operação Pecado Capital, realizada em 12 de setembro de 2011 junto com a Polícia Militar.

Tentativa de assalto na Caixa Econômica em Guamaré

Grande movimentação de policiais na cidade, tentativa assalto à agência da Caixa Econômica em Guamaré. Informações dão conta que os bandidos estão todos cercados. O GTO de Macau e João Câmara e policiais de toda área já estão na cidade. A polícia pede que a população fique em casa e aguardem o final da operação. Novas notícias a qualquer momento. O Major Fernandes com os homens de linha de frente e o subtenente Luiz Carlos já estão no local. A cidade está toda cercada.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Policiais civis do RN paralisam atividades nesta terça


Os policiais civis de todo o Rio Grande do Norte paralisam suas atividades nesta terça-feira (16), numa ação que estão denominando de: "O dia do resgate da Polícia Civil". As mobilizações por todo o estado serão definidas em assembleias a partir das 8h no auditório do SINPOL, em Cidade Alta, e em cidades-pólo (Mossoró e Caicó).
A decisão foi tomada no início do mês em virtude do retorno de presos para as delegacias, situação considerada inaceitável, visto que a custódia deve ser feita pelo sistema prisional, ou seja, por agentes penitenciários. A situação se tornou insustentável com as recentes decisões judiciais de interdições de cadeias públicas e presídios, notadamente nos municípios de Caicó, Goianinha, Mossoró e Macau.
 Os policiais civis, que há pouco tempo conseguiram acabar com os presos em delegacias na Grande Natal, informam que não vão admitir o retrocesso vindo do interior. O desvio de função é considerado ilegal no Brasil, com várias decisões judiciais, que apontam que policial civil não deve custodiar presos de justiça, situação que atrapalha o papel que possuem: de investigar e solucionar crimes.

A paralisação também acontece por outras razões. Os policiais farão greve na busca pela convocação dos 306 policiais concursados, que aguardam desde 2010 a nomeação, uma vez que o Governo do Estado apenas está fazendo substituições com as vacâncias por aposentadorias ou falecimentos. Eles lutam ainda pelo curso de formação de 290 suplentes aprovados no concurso de 2009 e realização de outro processo seletivo.

Garibaldi não confirma apoio a Rosalba e lança Henrique candidato a governador


O nome do PMDB para disputar o cargo de governador do Rio Grande do Norte, em caso de rompimento com o DEM, é o do atual presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB). A informação é do ex-governador e atual ministro da Previdência, Garibaldi Alves, em entrevista no último sábado ao jornal Gazeta do Oeste. De acordo com o jornal mossoroense, Garibaldi foi taxativo ao afirmar que, “para o governo do Estado pelo PMDB, eu veria o nome de Henrique”, declarou. “Henrique está muito feliz, conforme o que se percebe, é uma coisa que se vê a olho nu, pois é uma coisa muito evidente que ele quer se manter no cenário nacional onde ele desfruta de um grande prestígio. Mas, o candidato mais viável do PMDB para disputar o governo do Rio Grande do Norte é o deputado Henrique Eduardo Alves, no caso de um rompimento na aliança entre o PMDB e o DEM aqui no Estado”, afirmou Garibaldi.
A declaração do ministro desautoriza a declaração do próprio Henrique, também à imprensa mossoroense neste fim de semana, afirmando que não existe possibilidade de rompimento do PMDB com o DEM, da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). “A possibilidade de rompimento não existe”, descartou Henrique, afirmando que a ele não chegou rumor de rompimento do seu partido com o governo de Rosalba e lembrando que as reclamações públicas do PMDB não passaram de “dificuldades políticas”.
INQUIETAÇÕES
Contudo, coube novamente ao ministro da Previdência, ainda em entrevista ao jornal Gazeta do Oeste, informar o quadro real do PMDB no Rio Grande do Norte. Segundo Garibaldi, existe uma “inquietação” nas bases do PMDB, no que diz respeito à aliança com Rosalba. “A inquietação se deve ao fato de o governo não ter os melhores índices ou não ter encontrado os melhores índices de aprovação e isso é absolutamente necessário. Está sendo feito um esforço e houve um consenso quanto à indicação de novos secretários e vamos esperar”, recomendou Garibaldi.
Em entrevista ao blog de Carlos Skarlack, Garibaldi complementou o raciocínio iniciado na entrevista à Gazeta do Oeste, afirmando que a indicação do novo secretário de Agricultura, Júnior Teixeira, do PMDB, não foi uma sugestão, propriamente dita, do seu partido, mas da base. “A indicação não foi isoladamente do PMDB, foi uma composição dos partidos da base como o DEM, o PR, o PMN”, afirmou o ministro.
Para deixar claro seu entendimento, o ministro da Previdência, ao ser abordado sobre o caminho natural do PMDB em 2014, afirmou que o não rompimento do partido com o governo Rosalba, agora no início de 2013, não significa que PMDB e DEM estarão aliados em 2014. “Não significa que na eleição de 2014 o PMDB vá apoiar Rosalba, de modo nenhum”, disse.
Apesar disso, Garibaldi também voltou a recomendar o discurso do próprio primo e presidente do PMDB, Henrique Alves. “O nosso presidente Henrique Alves, tem defendido e dito que o PMDB só vai tratar as eleições de 2014, em 2014, por isso, vamos esperar para se tomar uma decisão”, disse. Ele ressaltou que o PMDB vai reunir suas lideranças no Rio Grande do Norte, para saber o que cada uma quer e o que é melhor para a legenda como um todo. “No momento certo, vamos reunir nossos filiados para tomar uma decisão conjunta sobre 2014″.
DISCURSOS
Enquanto para uns jornais de Mossoró, o presidente da Câmara assegurava que o rompimento com o DEM não vai acontecer, como no caso do Jornal de Fato do último sábado, para outros, como o blog do jornalista Carlos Skarlack, Henrique chegou a endurecer novamente o discurso contra o governo Rosalba Ciarlini. Isso porque depois de avalizar a indicação do novo secretário de Agricultura, Henrique tornou a dizer que o PMDB tem dificuldade com o governo Rosalba. “Temos dificuldades com o governo, de tratarmos as coisas com desenvoltura, pois na teoria é uma coisa, mas vamos ver como é que na prática isso vai funcionar”, afirmou, ainda em sua passagem pela cidade de Mossoró.
Henrique, que na sexta-feira à noite havia negado a possibilidade de rompimento do PMDB com o DEM, no sábado já nutria outro discurso: o de que o governo precisa dar maior autonomia aos secretários estaduais. “O que se espera é autonomia, abertura, desenvoltura”, afirmou. Indagado especificamente sobre 2014, Henrique disse que “O PMDB ainda não tem nome”, disse, emendando que as eleições 2014, somente serão tratadas por seu partido em 2014.

Robinson é aplaudido e irrita Rosalba em Mossoró
O vice-governador Robinson Faria, presidente estadual do PSD no Rio Grande do Norte, protagonizou com a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) momentos de tensão durante um fórum de vereadores em Mossoró, no último sábado. Na oportunidade, Robinson foi aplaudido pelos presentes, irritando a governadora, que foi vaiada. Habituada a ser o centro das atenções em Mossoró, em seu discurso Rosalba acabou protagonizando um verdadeiro ‘ataque’ de nervos e verbal, com insinuações contra o vice-governador, provável adversário dela nas eleições de 2014.
Tudo começou quando o vice-governador foi citado pelo cerimonial, com a maioria dos presentes aplaudindo com ênfase o nome do governadorável. Na sequencia, Rosalba tomou o microfone para fazer ataques verbais e insinuações. O vice-governador Robinson Faria tentou reagir, mas o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, vereador Francisco José Júnior, que presidia a solenidade, e que, inclusive, pertence ao partido de Robinson, o PSD, não facultou a palavra para que o presidente de seu partido se defendesse das insinuações feitas pela governadora Rosalba Ciarlini.
“A governadora Rosalba Ciarlini, uma das convidadas ilustres, acabou protagonizando um verdadeiro ‘ataque’ de nervos e verbal. Habituada a ser o centro das atenções em Mossoró, Rosalba nem fez questão de esconder seu ar de reprovação aos aplausos efusivos e incontidos ao vice-governador. Porém, foi ao ter facultada a palavra, que Rosalba deixou os bons modos de lado. Em um misto de discurso com desabafo que, para os presentes, ecoou mais como um ataque ao vice-governador”, relatou o jornalista Carlos Skarlack.
Ainda segundo o blogueiro, Rosalba fez uma série de acusações. “A governadora chegou até a declarar que naquele local, tinha político que pagava jornalistas e empresas de comunicação para atacar a ela e a outros políticos”, contou.
EXPLICAÇÕES

Na ocasião, Francisco José Júnior tentou explicar a Robinson que o próximo a falar, depois de Rosalba, era o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, maior estrela do evento. E que o tempo já tinha passado do horário combinado. Robinson aceitou e o clima entre Francisco José Júnior e Robinson Faria, ao final, foi de paz. “Tanto é assim, que, depois do evento no Thermas, logo depois de entrevista de Robinson, na Rádio Difusora, os dois se reencontraram. Francisco José Júnior, ao lado de outros vereadores como Jório Nogueira e das deputadas Sandra e Larissa Rosado, comemoraram o aniversário do vice-governador em um restaurante da cidade”, relata ainda o blogueiro Carlos Skarlack.
Ao ser abordado sobre o tema, o vice-governador falou sobre o episódio. “Eu solicitei ao cerimonial o direito de fazer uso da palavra, mas fui o único a não falar na solenidade”, declarou Robinson Faria. Em entrevista à Rádio Difusora de Mossoró AM, porém, Robinson deu o troco a Rosalba: “Queria fazer apenas uma pergunta à governadora Rosalba. Como não tive a oportunidade de perguntar na presença dela, pergunto agora, aqui, e faço um desafio para a governadora: que ela me responda e apresente apenas uma ação de seu governo contra os efeitos da seca”, disparou.
Robinson lembrou que o que tem sido feito contra os efeitos da estiagem no Rio Grande do Norte é com dinheiro do governo federal. “A Bolsa Família que o homem do campo recebe é com recursos do governo Dilma e os carros pipas são com recursos do DNOCS”, afirmou o vice-governador, se referindo ao Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOSC).
MÁ SORTE
Ainda segundo as impressões do jornalista Carlos Skarlack, a governadora Rosalba Ciarlini não teve um dos seus melhores momentos neste fim de semana de presença peemedebista na capital do Oeste. “Em seu próprio canteiro mossoroense, a Rosa descobriu que nem tudo são flores; depois de começar sendo vaiada, na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Mossoró, depois de saber que em entrevista em que Henrique disse que o PMDB continua esperando que ela coloque um fim no governo centralizador; depois de tomar conhecimento que o ministro Garibaldi disse que o PMDB não indicou o novo secretário da Agricultura e que não tinha compromisso político com ela para 2014; e depois de ler que o nome do PMDB para o governo é Henrique Alves, a governadora Rosalba Ciarlini até pode ter pensado que era o fim dos dissabores. Lego engano. Na presença dela própria e de outras estrelas políticas, foi vaiada e teve que ver Robinson Faria ser mais aplaudido. Ai a governadora saiu do sério”.

Governadora lança projeto focado no planejamento econômico do RN

rosalba mais RN
A governadora Rosalba Ciarlini lançou, na tarde desta segunda-feira (15), o projeto MAIS RN, que visa planejar o futuro econômico do Estado. Na ocasião, foi assinado o acordo de cooperação técnica com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), que será a responsável pela contratação de uma consultoria para dar apoio à construção do banco de dados. A solenidade foi realizada na Escola de Governo Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales.
O projeto MAIS RN irá dispor de todas as informações necessárias para que investimentos e negócios possam ser encontrados de forma sistematizada, analisada e trabalhada. O banco de dados reunirá atividades econômicas, dados estatísticos, meio físico, social, infraestrutura e redes de serviços para análise das oportunidades e gargalos com a identificação de ações de Governo. Cerca de 50 empresas que já aderiram ao projeto.
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Março de 2013: o mais seco do século

As previsões de chuvas para 2013, são desanimadoras. Desde 1911, nunca choveu tão pouco no mês de março no Rio Grande do Norte. Foram, em média, 29,6 milímetros no mês. O montante é 5,6 vezes menor do que o esperado para o período. A consequência disso: hoje 136 cidades, incluindo o litoral, são consideradas áreas muito secas.
Emanuel AmaralHoje, 136 cidades do RN são consideradas muito secasHoje, 136 cidades do RN são consideradas muito secas

Chuva de março foi 5,6 vezes abaixo da média

Ricardo Araújo
 - repórter

De terços em mãos e velas acesas, o sertanejo implora misericórdia a São José. Ah, se eles pudessem subir aos céus e derramar, das nuvens, a tão esperada chuva. Entretanto, a religiosidade não tem o poder de mudar as características climáticas, a força - nem sempre compreendida - da natureza e, mais uma vez, o homem do campo terá que colocar sua fé à prova e enfrentar mais um ano sem chuvas. As previsões são desanimadoras. Desde 1911, nunca choveu tão pouco no mês de março, com precipitações cuja média estadual não superaram os 29,6 milímetros. O montante é 5,6 vezes menor do que o esperado para o período. À espera de um milagre, os sertanejos contemplam o céu, ansioso para que “as lágrimas de Deus” caiam e ressuscitem as terras assoladas pelo flagelo da seca.
Magnus NascimentoDesde 1911, nunca choveu tão pouco no mês de março, com precipitações cuja média estadual não superaram os 29,6 milímetrosDesde 1911, nunca choveu tão pouco no mês de março, com precipitações cuja média estadual não superaram os 29,6 milímetros

Do mesmo modo, ansioso pelas mudanças climáticas, está o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot. Ele explica que os meses de março e abril são decisivos para se delinear o comportamento das precipitações para o resto do ano. Como choveu tão pouco em março e a mesma tendência está em curso neste mês de abril, é possível que a situação se agrave nos próximos meses. “Tivemos o março mais seco da história, desde quando começamos a realizar os monitoramentos”, afirma Bristot. Prova disso é quantidade de cidades potiguares sem incidência de chuvas significativas, tornando o solo muito seco. Em abril de 2012 eram 111 municípios; nesta sexta-feira, 12, o total era de 136 cidades, incluindo o litoral, na mesma situação.

Quando comparado o acumulado de chuvas entre os meses de janeiro e março deste ano, o índice de defasagem de chuvas é ainda maior. Esperava-se, segundo a Emparn, que chovesse,  pelo menos, uma média de 323,6 milímetros. Entretanto, o quantitativo registrado no período foi de 75,2 milímetros, resultando numa incidência negativa de 248,4 milímetros. “Tivemos um desvio acentuado quando em relação ao acumulado. Não tinha como piorar, pois já vinha de uma situação muito seca”, atesta Gilmar Bristot.

Para ele, a situação é preocupante. Entretanto, o meteorologista acredita que nos próximos dias a zonas de convergência que estão bloqueadas na atmosfera se movimentem e produzam chuva. Todavia, as previsões indicam mais estiagem. Para o litoral, o alento sustenta-se na possibilidade do período chuvoso se estender até meados de maio, diferente do sertão que se encerra ao final deste mês. Em 1995, porém, choveu aproximadamente 400 milímetros na região Seridó, numa situação inédita para a meteorologia. Bristot, diante do cenário, compartilha da fé do sertanejo. “É preciso ter fé em Deus para que ocorra uma mudança. A atmosfera não aponta a ocorrência de chuvas”, adverte.
Magnus NascimentoAtualmente, 15 cidades do Rio Grande do Norte estão sendo abastecidas exclusivamente por carros-pipaAtualmente, 15 cidades do Rio Grande do Norte estão sendo abastecidas exclusivamente por carros-pipa

Mananciais 

Para Joana D’arc Freire, coordenadora de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a situação dos mananciais de superfície do Rio Grande do Norte não mudou. A tendência, porém, é de agravamento, diante do elevado índice de evaporação dos poucos reservatórios que ainda restam com um percentual significativo de água. “A situação não mudou. Vem se estabelecendo de forma gradativa e os volumes acumulados nos reservatórios estão se reduzindo”, aponta. 

As expectativas são ruins, conforme aponta a coordenadora. “A tendência é só piorar. Não ocorrendo recarga nos reservatórios, a tendência é piorar”, lamenta Joana D’arc Freire. Enquanto as chuvas não caem em 2013, o sertanejo mais uma vez sustentado pela sua crença, aguarda a chegada de 2014 e a “Era de 4”, a qual, popularmente, reza que nos anos terminados no numeral 4, os invernos são mais generosos. Além disso, anseiam que, obras como a da barragem de Oiticica, que se arrastam há 61 anos, saiam do papel.

Para secretário, seca ainda é uma surpresa

O território do Rio Grande do Norte está inserido, em quase sua totalidade - 93% -, na zona semiárida brasileira. Mesmo assim, para o secretário estadual de Agricultura, Júnior Teixeira, a seca continua sendo uma surpresa. Somente no ano passado, segundo dados da pasta, 600 mil toneladas de cana-de-açúcar deixaram de ser produzidas. Uma prova de que a estiagem não atinge somente as áreas mais afastadas do litoral potiguar. Com a queda acentuada da produção, aproximadamente R$ 100 milhões deixaram de ser comercializados.

“A seca de 2012 foi uma surpresa. Todos os institutos de pesquisa erraram nas previsões. Mas em 2013, nós já sabemos que será seco. A chuva, esta sim, será uma surpresa”, conclui o secretário estadual de Agricultura. Para Júnior Teixeira, a estiagem deverá ser enfrentada em três frentes de trabalho: o estacamento da mortandade do rebanho, a desburocratização do crédito e o acesso à água. Todas as medidas, porém, deverão ser tomadas a partir de diálogos entre produtores, governos municipais, estaduais e federais com os bancos financiadores da atividade rural. 

O secretário ressalta que os problemas relacionados à dívida rural, que culminam com a possibilidade de perda das propriedades, afetam muitos produtores potiguares. “O homem do campo, o produtor, está numa situação muito difícil, num ambiente inóspito. Ele está vendo todo dia o seu patrimônio ir embora”, ressalta. Isto seria revertido, segundo o titular da Agricultura, com o acesso ao crédito rural. Somente desta forma, a economia que gira em torno da produção de farinha, feijão, fava e mandioca, poderia ser reestabelecida. 

Entretanto, até que isto ocorra, o homem do campo deverá se sustentar com os repasses da União através do Bolsa Escola, Bolsa Família e Garantia Safra. Somente este último, no Rio Grande do Norte, deverá distribuir aproximadamente R$ 40 milhões em parcelas mensais a quase 50 mil famílias inscritas no programa. Além disso, a Secretaria de Agricultura pretende ampliar para 20 mil toneladas mensais, a oferta de milho para venda ao produtor rural. 

Bancada

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Motta (PMN) convocou uma reunião com as bancadas federal e estadual para tratar exclusivamente das demandas, questões e soluções voltadas para a seca. 
A reunião de trabalho será às 11h desta segunda-feira, 15, na Assembleia Legislativa e terá a presença do presidente da Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), além de secretários de Estado e convidados representantes de instituições.