Após um ano de investigações, a Polícia Federal deflagrou, na madrugada
desta terça-feira, 6, a Operação Hecatombe. Durante a ação, 17 pessoas
foram presas, das quais sete são policiais militares, comerciantes e
desempregados. Entre os presos está um ex-soldado expulso da Polícia
Militar. A identidade deles não foi divulgada pela instituição. A
suposta quadrilha,que atuava no extermínio de ex-presidiários,
traficantes e assaltantes teria cometido, ao longo de dois anos, 22
assassinatos, conforme investigações da PF. Dentre as próximas vítimas
estariam uma delegada de Polícia Civil, um promotor de Justiça do
Estado, além de um agente da Polícia Federal.
Um dos suspeitos foi detido na zona Norte de Natal
As
execuções por encomenda ou relacionadas ao tráfico de drogas, eram
especialidades dos integrantes do grupo. Policiais militares também
foram mortos pela quadrilha entre os anos de 2011 e 2013. De forma
“organizada, estruturada e profissional”, segundo o superintendente da
Polícia Federal no Rio Grande do Norte, Kandy Takahashi, os integrantes
dividiam tarefas e arquitetavam as execuções.
“O elevado índice
de homicídios no Estado nos chamou atenção. A investigação da Polícia
Federal foi para identificar a quadrilha, em decorrência da coincidência
de nomes envolvidos nos crimes”, afirmou Takahashi. Ele classificou os
integrantes da suposta quadrilha como “extremamente profissionais, não
se preocupando com deixar rastros dos crimes e atuavam com sangue frio”.
Além disso, o grupo era “auto-sustentável”. Isto porque a encomenda de
morte variava entre R$ 500 e R$ 50 mil, de acordo com a “importância” da
vítima.
O delegado da Divisão de Direitos Humanos da Polícia
Federal, Alexandre Ramagem, disse que o grupo preso é extremamente
perigoso. “Havia a participação de policiais militares, o que dava uma
capacitação aos integrantes da quadrilha”, destacou. O desapego à vida e
a banalização da violência identificadas no suposto grupo de extermínio
chamaram a atenção do delegado. “Eles matavam por dinheiro e até mesmo
de graça, só para testar uma pistola nova”, asseverou Alexandre Ramagem.
Além
dos crimes cometidos e da lista de próximas vítimas, a quadrilha
estudava a possibilidade de resgatar um soldado da Polícia Militar que
foi preso em março deste ano e conduzido ao Pavilhão Rogério Coutinho
Madruga, em Alcaçuz. Para isto, eles chegaram a confeccionar fardamentos
e coletes com os distintivos da Polícia Federal. Nenhum dos itens
apreendidos durante a operação foi exposto durante a coletiva de
imprensa realizada na sede da PF na manhã de ontem. Todas as decisões
relacionadas à divulgação de informações da Hecatombe foram tomadas pela
assessoria de imprensa da instituição em Brasília, que optou por não
divulgar os nomes das pessoas presas.
O titular da Secretaria de
Estado de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), Aldair da Rocha,
destacou que as investigações que levaram à operação começaram na
Divisão de Inteligência da Secretaria, que compartilhou informações com o
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do
Ministério Público Estadual. A participação da Polícia Federal foi
requisitada em decorrência da falta de equipamentos e agentes
suficientes no Estado para atuar na investigação do caso, que pode
envolver mais homicídios dos que até agora identificados. Além disso,
novas prisões poderão ocorrer, visto que, as investigações não se
encerraram e correm sob segredo de Justiça.
- Operacionalização
As
ações da suposta quadrilha de extermínio ocorriam a partir de
coordenadas traçadas por um soldado aposentado da Polícia Militar. Mesmo
detido no Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, considerado de segurança
máxima no Complexo Penitenciário de Alcaçuz, o investigado mantinha
contato com os demais integrantes através de ligações telefônicas e em
visitas sociais.
- Como agiam
Dois
ou mais integrantes da suposta quadrilha seriam os mentores dos crimes.
Eles escolhiam as vítimas e as indicavam aos demais membros.
- Divisão de tarefas
Outros
três ou mais suspeitos atuavam no levantamento das informações das
vítimas, como horário de saída e retorno do trabalho, identificação de
endereços, estudo do cotidiano e análise do local ideal para o
assassinato.
- Tática
Após
análise do levantamento inicial feito pelo grupo, os líderes
idealizavam a melhor tática para atuar, culminando com a execução da
vítima. Os crimes ocorriam a qualquer hora do dia e, na maioria, dos
casos, não deixavam pistas. Testemunhas oculares foram mortas em alguns
casos.
- Cobertura
Enquanto
três ou quatro suspeitos de integrar a quadrilha efetuavam a ação,
outros aguardavam em áreas próximas ao local do crime. Eles davam
cobertura para a fuga e avaliavam o comportamento da vizinhança, quando
os crimes eram cometidos em áreas públicas.
- O pagamento
A suposta quadrilha cometia crimes de pistolagem gratuita ou através de encomendas que custavam entre R$ 500 e R$ 50 mil.
- Perfil das vítimas
De
acordo com a Polícia Federal, o perfil das vítimas é o mais diverso e
as execuções ocorriam por motivos que variavam desde rixas pessoais,
passando por dívidas com tráfico de drogas e até mesmo para testar uma
nova pistola adquirida pelo bando.
- Mortes
Conforme levantamento da Polícia Federal, em dois anos, ocorreram 22 homicídios, além de cinco tentativas de assassinato.
- Lista
A
PF identificou que um delegado de Polícia Civil, um promotor de Justiça
do Rio Grande do Norte e um agente federal, cedido à instituição no
Estado potiguar, estariam na lista de possíveis vítimas do suposto grupo
de extermínio.
Fonte: Tribuna do Norte